janeiro 27, 2024

Apresentando Eva Maria de Jesus




Eva Maria de Jesus foi uma mulher negra que vivenciou duas realidades, a de escravizada e a de liberta. Goiana, nasceu em1848 na fazenda Ariranha, propriedade de José Manoel Vilela, no sul de Goiás, em Jataí ou Mineiros, ambos os municípios são mencionados, tanto pela comunidade Tia Eva quanto nas pesquisas, como local de nascimento da escravizada.

No anseio de ter uma vida mais humana, já que viveu a desumanidade da escravidão, e presenciava os  horrores dos castigos físicos, Eva Maria tinha um sonho de possuir um pedaço de terra no qual os seus pudessem viver em liberdade e com autonomia. 
Até a realização desse sonho da conquista da terra, precisamos lembrar que Eva cresceu em meio ao trabalho escravo e como mulher escravizada, foi criada desde pequena para realização de afazeres domésticos. 

Na divisão dos afazeres domésticos entre as cativas pela sinhá-senhora-proprietária, cada qual cumpria uma função na casa e Eva ficou responsável pela cozinha, especificamente na produção de doces.

Vale lembrar que as escravizadas eram treinadas desde pequenas pelas mães ou mais velhas para desempenharem as funções domésticas, como lavadeiras, faxineiras, cozinheiras, doceiras, amas secas. Contudo, as cativas também foram escravas de eito, em plantações ou minas, e de ganho.

Ainda escravizada, teve suas três filhas: Sebastiana, Joana e Lázara. Não se sabe nada sobre os pais, dessa forma, Eva desempenhou o que hoje chamamos de maternidade solo, cuja mãe cativa sofreu as políticas de amamentação, desmame e cuidado no cerne das senzalas.

Desempenhando a função de cozinheira-doceira, tia Eva, ao manipular um tacho, derrubou banha quente em sua perna queimando-a profundamente.

O acidente causou uma ferida permanente que afastou a escravizada da cozinha e seus donos transformaram-na em produtora de sabão. Afastada da casa-grande foi realocada em uma casinha nos fundos da fazenda.

A falta de tratamento adequado na perna ferida conduziu a um processo infeccioso e fica constatado a pouca, ou quase nunca, assistência médica prestada à saúde dos escravizados.

No cotidiano dos cativos havia o predomínio dos saberes da medicina popular e de práticas de cura com o uso de plantas-raízes-ervas medicinais, o médico cumpria-se na presença de benzedeiras/os, curandeiras/as e sangradores/as.

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